
Tirano Banderas
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1926 · Ramón María del Valle-Inclán
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Sinopse
Tirano Banderas é um romance do escritor espanhol Ramón María del Valle-Inclán, publicado em 1926. A obra pertence ao chamado ciclo esperpêntico do autor, iniciado em 1920. O tema do livro é uma revolução que objetiva derrubar o cruel General Santos Banderas, que governa o país tropical fictício de Santa Fé de Tierra Firme, banhado pelo Oceano Pacífico. O período pode ser situado por volta de 1880. Santa Fé de Tierra Firme é descrita como um amálgama de diversas regiões diferentes da América Latina; na obra aparecem mares, montanhas, desertos, pântanos e planícies; lhamas, cavalos e bois; índios, negros, mestiços, criollos e estrangeiros; citam-se festas, trajes e costumes tradicionais de várias regiões diferentes; o texto está recheado de americanismos, cuja origem vai desde a Argentina até o México, país visitado pelo autor muitos anos antes; o tratamento oscila entre tu, usted e vos. Essas alusões às variadas culturas do continente tem o objetivo de mostrar que o autor não fala de um país latino americano em particular, mas de todos ao mesmo tempo. A linguagem se alterna entre culta, coloquial, chula, rebuscada, retórica e oficialesca, conforme o personagem e a situação específica. Aparece um grande número de neologismos. Banderas fala sempre de si na terceira pessoa, como se fosse um mito. O autor também inova na pontuação, com uso consecutivo dos dois pontos (":"), como se estivesse fazendo uma exposição dentro de outra exposição. Por muitos anos, o romance foi considerado uma obra ímpar, uma experiência única, impossível de classificar por meio dos esquemas existentes da teoria literária, pois combina o tom épico com a crítica social, a franca paródia e situações exageradas e/ou absurdas, a crueldade e o lirismo. Atualmente, é considerada uma obra-prima da literatura pós-modernista, e um dos romances mais importantes do século XX em língua espanhola; um romance que se apresenta ao mesmo tempo como uma obra socialmente engajada e uma experiência literária esteticamente perfeita e renovadora. O romance é narrado na terceira pessoa por um narrador observador. O texto é dividido em sete partes, cada parte é dividida em livros, e cada livro é dividido em pequenos quadros. O autor incluiu também um prólogo proléptico e um epílogo contemporâneo a este. Nas primeiras partes, os diversos personagens vão sendo apresentados e a situação política da república vai sendo descrita por meio do foco da narrativa em alternados ambientes: a fortaleza, o consulado espanhol, o bordel, a prisão, a fazenda, etc.. O conteúdo do texto nunca perde a característica de descrição do caráter dos personagens para centrar-se na sucessão dos eventos da luta revolucionária; estes vão sendo narrados aos poucos até atingir-se o desfecho final. Toda a trama cabe no espaço de tempo de dois dias consecutivos. A grande unidade de tempo e espaço, o estilo narrativo impessoal, conciso e cheio de diálogos curtos, a ação ininterrupta e as reviravoltas do enredo aproximam a obra a um filme cinematográfico. Pelo conteúdo, é uma fábula, pertencente ao grupo de narrativas que se chamou depois de romance do ditador, das quais são exemplos o Facundo, de Domingo Faustino Sarmiento, O senhor presidente, de Miguel Ángel Asturias e O outono do patriarca, de Gabriel García Márquez. O livro foi usado como base para um filme dirigido por José Luis García Sánchez, com Gian Maria Volonté e Ignacio Lópes Tarso em 1993: El tirano Banderas.
Licença do texto: CC BY-SA 4.0 · Fonte
Detalhes
- Tipo
- Livro
- Lançamento
- 1 de janeiro de 1926
- Criado por
- Ramón María del Valle-Inclán
- Países
- Spain
Capa: Wikimedia Commons · http://catalogo.bne.es/uhtbin/cgisirsi/0/x/0/05?searchdata1=a4836240 · CC BY-SA 4.0 · Fonte